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Efeitos do coronavírus na indústria brasileira de eventos

Com o avanço do coronavírus (COVID-19) no país, governos de diversos estados estão anunciando planos de contingência com uma série de medidas para restringir a circulação e a aglomeração de pessoas. Uma das principais orientações é classificar eventos com mais de 100 pessoas como de “grande porte”, e cancelá-los durante a vigência dos decretos. As medidas devem incluir jogos de futebol, shows, festivais, conferências, seminários e palestras. O impacto disso já reflete enormes prejuízos na indústria de eventos, e produtores receberão comunicados oficiais orientando mais cancelamentos nas próximas semanas.

Consequências da epidemia

Enquanto o número oficial de infectados pelo COVID-19 no Brasil ultrapassa 100 casos e mais de 1.500 pessoas são monitoradas pelo Ministério da Saúde, adiamentos e até mesmo o cancelamento definitivo de grandes eventos já ganham ampla repercussão na imprensa nacional. Essa semana, a Conmebol publicou carta adiando as duas primeiras rodadas das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo do Catar, em 2022, enquanto o maior torneio de clubes do continente, a Copa Libertadores da América, foi suspenso por tempo indeterminado.

 

Artistas e produtores estão alterando suas rotas para evitar o contágio da doença. Na quarta-feira, dia 11, foi informado o cancelamento do primeiro show em solo brasileiro como medida de precaução diante da epidemia de coronavírus. A turnê que o cantor e guitarrista Sammy Hagar (ex-Van Halen) faria pelo Brasil com a sua banda The Circle foi suspensa.

 

Com início previsto para o dia 24 deste mês, o tradicional Festival de Teatro de Curitiba também foi adiado. No Rio de Janeiro, o Espaço Cultural BNDES já interrompeu a sua programação de shows de março. Lançamentos oficias de filmes estão sendo cancelados em várias cidades do país e o Festival Internacional de Arte de São Paulo, o SP-Arte, publicou ontem nota suspendendo a sua 16ª edição, que aconteceria no próximo mês.

Moda, inovação e Lollapalooza

Também ontem, a São Paulo Fashion Week comunicou o cancelamento de seus desfiles previstos para abril, em função da nova classificação de pandemia do coronavírus. Já a Campus Party Amazônia foi adiada e, em breve, a organização do evento – um dos principais acontecimentos de inovação e tecnologia do país – dará orientações de como os campuseiros que já adquiriram ingressos deverão proceder.

 

Com edições canceladas no Chile e na Argentina, o Lollapalooza é o festival de música mais aguardado do ano e a sua realização no Brasil era incerta até o final da tarde de hoje. Em comunicado oficial, a organização do festival afirmou que a edição 2020 do Lolla será realizada em dezembro:

“Diante desse acontecimento sem precedentes, nossa prioridade máxima é preservar a saúde e a segurança do público, artistas e equipes de trabalho e acatar as medidas preventivas das autoridades públicas e sanitárias.”

Embora os prejuízos pareçam enormes — estimam-se bilhões de dólares em todo o mundo— alguns médicos e pesquisadores indicam que o pico epidêmico no Brasil se dará nas próximas semanas, portanto seus efeitos sobre a indústria brasileira de eventos ainda serão totalmente mensurados. Apesar do panorama, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que não há motivo para pânico: lavar as mãos ainda é a melhor forma de evitar a doença.

 

Leia também: 5 tendências que estão revolucionando o mercado de festivais e eventos.